Sense8 | A força das relações humanas


Depois de uma primeira temporada de novidades e descobertas, e um especial de natal que deixou muitas dúvidas no ar,Sense8″ retornou na última sexta (05) com os novos episódios de sua tão aguardada segunda temporada. Eu até gostaria de ser imparcial, mas não consigo, sou fã assumida, foi amor à primeira cena – como vocês podem ver e ler em Conexão Sense8 – e mesmo ciente de alguns aspectos que precisam e podem ser aprimorados – desenvolvimento da história, edição (uma das cenas que mais gosto da primeira temporada, é justamente uma que teve problema de continuidade/edição, que é a famosa cena em que todos cantam What’s Up da banda 4 Non Blondes, em alguns quadros Kala  (Tina Desai) aparece num terraço a noite e em outros ela está dentro do quarto pela manhã) – ela é uma das séries que mais gosto atualmente.

As Irmãs Wachowski (embora apenas Lana esteja a frente do projeto nesta temporada) possuem um olhar peculiar para tudo que se propõe a fazer, utilizando-se de caminhos as vezes incomuns, inesperados ou incompreendidos. Se “Matrix” (1999) foi uma revolução para o cinema quando se trata de tecnologia, a temática abordada pelos Sensates captura-nos  por explorar a força das relações humanas.

Personagens com personalidades e realidades tão distintas, que entretanto são capazes de criar entre si empatia, respeitar e apoiar uns aos outros, embora não necessariamente concordem com a postura em questão – algo que deveria ser o mais comum, é na verdade cada vez mais raro em nosso mundo cheio de preconceitos e intolerâncias, basta olhar as manchetes de jornais, revistas, postagens nas redes sociais e afins, que mostram guerras, campos de concentração para gays, agressões físicas e verbais a torto e a direito. E a série também expõe esse lado, prova disso é que o fato dessas pessoas possuírem a habilidade de conexão um tanto quanto singular já os faz serem perseguidos, até mesmo por outros grupos com tais habilidades.

Nessa temporada desvendamos mais uma parcial das histórias pessoais de cada personagem, e o que os possibilita ter esse tipo de conexão – é verdade que poderia ter sido um pouco mais, contudo compreendo que essa expectativa é responsável por alimentar o interesse do público – , novos personagens e elementos foram agregados, concedendo um pouco mais de energia para a história. Aspectos políticos e sociais ficam ainda mais em evidência e aquela teoria do bater de asas de uma borboleta no Brasil causar um tufão no Japão, me parece bem pertinente quando se pensa que as ações de uma criatura em seu país podem refletir negativamente, causando danos imensuráveis à populações em muitos outros países – atente para acontecimentos envolvendo Kala/Capheus.

Para aqueles que aguardavam ansiosamente as cenas em São Paulo, não houve muito o que comemorar, pois elas se limitam ao trio e tomadas aéreas da Avenida Paulista durante a Parada Gay e da Ponte Estaiada, que está agora na abertura  da série. Entretanto temos que reconhecer que em nenhum dos outros lugares apresentados até o momento foram realmente com a intenção de grande destaque, uma vez que o foco sempre fica nas pessoas e não exatamente no local físico habitado por eles.

Com o surgimento dos novos personagens evidencia-se ainda mais a relação de amizade e cumplicidade de Sun, Kala, Nomi, Riley, Wolfang, Capheus, Lito e Will, como ela tem amadurecido, se estreitado e se consolidado em pouco mais de um ano. E pela sequência de acontecimentos até o momento, acredito que temos a perspectiva de uma terceira temporada bem intensa e instigante. Que venha 2018!