Sesc Pompéia | Oficina Produção de Documentário com Cristiana Grumbach, uma aula de, e para vida


Há alguns dias participei de uma oficina incrível no Sesc Pompeia em São Paulo, e hoje estou aqui para compartilhar com vocês um pouco dessa experiência.

Mas primeiro, uma pergunta. Quando você ouve a palavra documentário, o que lhe vem à mente?

 

Bem, eu tinha as minhas ideias sobre isso, e elas foram desconstruídas e readaptadas depois desse curso Técnicas de Entrevista no Documentário, que embora tenha durado apenas dois dias – 28 e 29 de abril, sim, um fim de semana – foi tão intenso que nos propiciou um aprendizado profundo. Ele foi ministrado pela premiada diretora, roteirista, pesquisadora e editora Cristiana Grumbach, e foi mais que uma aula sobre produção cinematográfica, na verdade ela ultrapassa com ensinamentos que são pra vida, ou seja, os melhores aprendizados que você pode ter, afinal, a utilidade deles vai ser sempre testada e desafiada, promovendo ainda mais o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

E é por isso que desde de então já recomendo fortemente a todos que tenham interesse por cinema, não somente pelos não ficção. Afinal, um curso como esse deve retornar em breve. Fica a dica, não só para o Sesc, como para outras instituições que possam ter interesse. Cristiana é do Rio, mas tem a Escola Doc, com uma equipe que viaja para ministrar os cursos onde houver convite.

O curso foi dividido em teoria e prática partindo da análise de filmes de vários cineastas como Eduardo Coutinho – considerado por muitos como o maior documentarista do Brasil e de quem Cristiana foi assistente -, e filmes da própria Cristiana, além de sugestão de leitura de bibliografia específica e bem rica. E para finalizar, tivemos a experiência prática de estar no papel de entrevistadores e entrevistados através da escolha de alguns colegas para exercitar os ensinamentos e vivências compartilhados por ela num set montado em sala para as entrevistas.

É difícil sintetizar tudo, porém vou tentar com 3 pontos relacionar o que teve um maior destaque para mim no sentido de que é imprescindível nas entrevistas para documentários e na vida (embora muitas vezes não tenhamos consciência da importância disso e seus benefícios nas nossas relações).

  • Prestar atenção, ouvir de verdade quando estiver em uma conversa.

Ainda mais em tempos como o que vivemos, de tantas tecnologias e que nos tornamos multitarefas, ou seja, ao executar várias tarefas ao mesmo tempo, acabamos por perder detalhes que poderiam fazer diferença no resultado final. E também negligenciamos na maioria das vezes o contato humano em relação ao que não é.

  • Não ser reativo.                                                                                       

Eu mesma, por várias sigo meus impulsos em interromper o outros, inclusive em cursos para questionar algo, ou mesmo fazer alguma observação relacionada ao que está sendo dito. E percebo agora mais claramente como isso pode influenciar negativamente no diálogo, afinal ao cortar a fala do outro, posso estar prejudicando a linha de raciocínio estabelecida até ali e que resultaria até mesmo muitas vezes no esclarecimento das dúvidas que estavam sendo despertadas em mim.

  • Ouvir sem julgar, ou ao menos não expressar esse julgamento seja de forma verbal ou corporal.

Talvez o mais difícil exercício proposto até aqui, considerando nossa tendência humana de apontar o que consideramos “erros” e “defeitos” no e do outro, nos abstendo dos nossos próprios. Atitudes muitas vezes mascaradas de “boa intenção” e “crítica construtiva”. Nesse sentido, podemos nos atentar também para a importância da forma que encontramos para comunicar o que queremos, para que ela tenha um efeito positivo no outro, e não o contrário.

 

Estou deixando o ótimo vídeo TÉCNICAS DE ENTREVISTA PARA DOCUMENTÁRIO | cnpuy que a Thaís Polimeni da CultCultura fez sobre a experiência dela no curso relacionando as técnicas ensinadas por Cristiana.

Abaixo também estou deixando mais informações sobre a Cristiana e seu trabalho, bem como o email dela para aqueles que desejarem entrar em contato.

Cristiana Grumbach. Crédito da imagem: Divulgação

Sobre Cristiana Grumbach: É diretora, roteirista, pesquisadora e editora. Dirigiu os documentários de longa-metragem “Morro da Conceição…” (2005), “As cartas psicografadas por Chico Xavier” (2010) e “Filmes de Gordinho” (2015), e os documentários de curta-metragem “O joelho de Ives” (2011), “Mestre Adorcino e o estuque ornamental” (2013), “Um microondas foi pro ferro velho” (2015) e “Bandeira de Mello e a arte do Afresco” (2015). Colaborou com Eduardo Coutinho como assistente de direção, pesquisadora e segunda câmera nos longas-metragens “Santo Forte” (1999), “Babilônia 2000” (2001), “Edifício Master” (2002), “Peões” (2003), “O Fim e o Princípio” (2005) e, como diretora assistente e pesquisadora em “Jogo de Cena”(2007).

Email: cristiana@escoladoc.com

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