Sicario: Terra de Ninguém | Crítica do filme


Sicario’ é o termo aplicado nas décadas que precederam à destruição de Jerusalém, para definir um grupo extremista e zelotas  judeus, que assassinavam romanos e seus simpatizantes na tentativa de expulsá-los da Judeia, usando adagas  curtas. Hoje os sicarios seriam “Assassinos de aluguel”. No início do filme, dirigido por Denis Villeneuve, recebemos uma breve explicação sobre isso.

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Alguns apontam que o enredo deste filme é a demonstração do ato das máfias ligadas ao tráfico de drogas. Não parece verdadeiro. Este aspecto é visualizado como apoio, apenas uma muleta para o verdadeiro foco do filme, que se encontra no outro lado.

Com a excelente atuação de Benicio del Toro, temos um filme para não só questionar os cartéis de drogas, mas também aqueles que os perseguem.

A história centraliza-se na fronteira México/Estados Unidos, uma espécie de terra de ninguém, onde os cartéis de drogas impõe suas duras leis. Na luta contra essas máfias, autoridades norte-americanas planejam praticar ações questionáveis também para transparecer legalidade em seus atos.

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Para este jogo violento, Kate Mercer (Emily Blunt), do FBI, é recrutada para se inscrever nas forças de elite, e lutar contra os circuitos de drogas mexicanos. Em um processo super secreto da lei.

O filme não está interessado em mostrar a organização e ações das máfias internamente (embora dê uma boa pincelada nesse quesito),  mas sim, as contradições no seio da polícia e grupos militares que lutam por esta causa, revelando que os métodos da lei são semelhantes aos dos criminosos.

Isso é o que está em jogo, é o que é mostrado e questionado. É também o que dá origem ao drama, levanta a análise do comportamento e o desenho dos personagens. Tal relação nos ensina que os opostos podem ser semelhantes, independente do lado da lei que esteja sendo mostrado.

Daí a importância do diálogo, que afirma ou nega, e valida o que fazem os detetives, policiais e soldados.

Os diálogos enriquecem o movimento da narrativa e inteligentemente articula o seu desenvolvimento, somando isso ao ritmo do filme, que não fica marcado apenas pelas cenas de violência, como também pelas reações emocionais de seus personagens.

Sicario também encontra a sua própria estética e faz isso muito bem.  Nele temos cenas que impressionam os espectador. E uma trilha que surge como parte de uma unidade exemplar.

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Embora possamos perceber que em certos momentos há uma manipulação para facilitar o andamento do roteiro, como estereótipo feito dos bandidos mexicanos ou a redução considerável da importância que o vilão teria para o argumento, Sicario ainda vale muito o ingresso.

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As emoções transbordam de dentro de seus personagens, especialmente falando do trabalho feito por Emily Blunt e Benicio del Toro. Com eles, o filme incorpora a sua intenção de “quebrar” a consciência quadrada sobre a lei, mostrando uma luta em que a ética se evapora em ambos os lados.

A violência presente em Sicario é reflexo de uma sociedade destruída por um crime intimidador e com um terror cada vez mais forte como resposta.

Mesmo pecando em parcelas do roteiro, é um filme bem dirigido e tecnicamente bem feito. Este é um filme que deve ser sim recomendado.

O filme estreia em 15 de outubro. Confira o trailer:

FICHA TÉCNICA: EUA 2015. Gênero: policial. Direção: Denis Villeneuve. Elenco: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya,Maximiliano Hernández, Dylan Kenin, Frank Powers, Bernardo P. Saracino, Edgar Arreola, Marty Lindsey. Fotografia: Roger Deakins. Duração: 122 minutos.

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