Nota:

Data de lançamento 8 de agosto de 2019 (1h 45min) Direção: Leonardo Domingues Elenco: Fabrício Boliveira, Ísis Valverde, Leandro Hassum mais Gêneros Drama, Biografia, Musical Nacionalidade Brasil
8.0

Wilson Simonal foi um dos maiores artistas do Brasil, com certeza o maior de sua época. Mas seus caminhos foram dilacerados antes que ele pudesse se estabelecer na memória do público. Hoje, os esforços para fazer justiça ao legado do cantor têm surtido efeito, e essa cinebiografia chegou para definitivamente nos mostrar como tudo aconteceu.

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No filme, Simonal encontra em sua banda formada por amigos, uma forma de mostrar o seu talento para o mundo, tudo bem que as oportunidades ainda são tímidas, mas ao que parece, cantar em bailes e festas ainda rendia convites de olheiros. Assim que descoberto não demorou muito para o Brasil conhecer esse que seria o maior cantor brasileiro de todos os tempos. Simonal era inteligente e sabia exatamente o que as pessoas queriam ouvir, assim ele chegou onde talvez ninguém imaginou que poderia, mas, depois de anos de sucesso, seus problemas começaram a aparecer. Suas finanças saíram do controle e o levaram a tomar decisões que mudaram a sua vida e carreira para sempre.

Aqui temos um filme que segue uma arquitetura pensada para a Tv. A parceria entre a Downtown Filmes e a Globo tem interesses além da tela grande. Sabemos que é um costume da emissora transformar filmes em séries depois de pouco tempo de estréia. Às vezes isso pode acabar prejudicando o longa, mas graças a Deus, aqui, isso não acontece.

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Apesar de termos uma história razoavelmente bem contada, o filme peca em alguns aspectos. Existe um apego aos clichês do cinema nacional, ele sobrevive na zona de conforto, e sabemos que o culpado de grande parte dessa escolha se deu pela falta de verba. De qualquer forma, dentro dessas limitações, os detalhes técnicos foram bem cuidados.

Fabrício Boliveira se revela mais uma vez como grande ator que é, dessa vez, com uma escolha assustadora de fazer um Simonal sem imitá-lo ao pé da letra. É nítida a sua apropriação e parece que não caricaturar deu certo. Mesmo assim o ator não abandona totalmente a maneira de ser do nosso astro da música, e mescla a sua interiorização com o melhor extraído do cine biografado. Um detalhe que poderia ser melhor trabalhado, talvez esteja em seu sotaque baiano, fora isso, “nem vem que não tem…”.

Isis Valverde parece cumprir o seu papel dando vida a ‘Teresa’, esposa do Simonal. Mas a impressão que ficou, foi que poderiam ter aproveitado melhor esse bate-bola para contar mais da história do casal. Ao invés disso vemos muita sensualidade e uma preocupação em mostrar a beleza da atriz.

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Esse é um filme muito musical, que fala de racismo, política e tem representatividade. Ele é interessante, diverte e vale seu ingresso, mas como forma de complementar o seu entretenimento, depois dessa dica, você pode assisti ao documentário ‘Ninguém sabe o duro que dei’. Veras que Simonal tem muitas histórias que ainda precisam ser conhecidas.