O modo como consumimos cinema tem se transformado muito ao longo dos anos desde o seu surgimento com o cinematógrafo, objeto criado pelos Irmãos Lumière que era capaz de reproduzir a realidade em movimento. Desde então não somente a forma de construir, captar e projetar esses movimentos também se modificaram, assim como as possibilidades de acesso para o seu público consumidor.

Buscando inovar e permanecer uma experiência atrativa para os seus clientes, a rede Cinépolis, no Brasil liderada por seu presidente Sr. Luiz Gonzaga Assis de Luca, tem investido cada vez mais em novas tecnologias e conceitos, que permitam a esses clientes uma experiência realmente interessante, confortável e divertida. Nesse sentido, as salas VIP da rede têm sido de fato um diferencial e vêm ganhando cada vez mais espaço nesse mercado de consumidores vorazes e ofertas de conteúdos em plataformas bem diversificadas.

Aproveitamos a inauguração de três novas salas VIP da Cinépolis Brasil no São Luís Shopping no último dia 11/01 e a disponibilidade do Sr Luiz na ocasião, para compartilhar com vocês um pouco mais da história da rede que está no país desde 2010, bem como as novidades que deverão ser implementadas em breve.

Desde já deixamos o nosso agradecimento à Cinépolis e ao Sr Luiz, e ainda à Marione e a TZM Entretenimento que nos proporcionou essa entrevista.

Priscila: Sr Luiz, a Cinépolis já conquistou muito espaço e reconhecimento desde a sua chegada ao Brasil em 2010, atuando atualmente com 50 salas no país. Além disso, já é considerada não somente no Brasil, como no mundo a maior operadora de salas VIP. Considerando isso, e a inauguração que acontece nessa quinta (11-01) no São Luís Shopping, de 3 novas salas VIP, qual a perspectiva que podemos ter de novos territórios a serem conquistados ainda esse ano no país? Tem algum planejamento ou previsão que o Sr possa compartilhar conosco?

Sr. Luiz: Sala VIP é um conceito criado pela própria Cinépolis em 1998, como um diferencial de atendimento, onde 1998 já é plena era da TV a cabo, onde as pessoas tinham uma grande alternativa de ofertas de filmes em casa e no seu conforto de poltrona, de ir na geladeira, etc. Então, buscando retomar esse público de TV a cabo e DVD, o cinema Cinépolis decidiu fazer um serviço de qualidade e que de alguma forma criasse condição de comodidade, e mais do que comodidade, uma alternativa efetiva da pessoa não só assistir um filme como de ter alimentação, de ter um serviço mais refinado. No México é tão extenso isso e na América Central também, que o conceito que seria mais elitizado, passou a ser mais amplo, ou seja você vai no México, você atende muitas pessoas que querem conforto, não necessariamente está preocupado com classe social. Então você tem salas VIP em lugares em que você falaria, não, aqui não é pra ter sala VIP. Não, lá nós podemos falar que tem um espraiamento da oferta desse serviço.

Quando nós entramos no Brasil, um dos grandes diferenciais que a Cinépolis tinha era oferecer esse tipo de serviço pro Brasil, então nós começamos a ofertar ostensivamente esse tipo de serviço. Curiosamente houveram muitas, muitas reações dos empreendedores dos shoppings falando: “Não, eu acho que meu shopping não tem esse perfil, não me interessa esse perfil.”. Pode parecer indelicado, mas eu posso citar Sorocaba por exemplo. Nós construímos praticamente juntos Sorocaba, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, todos Iguatemi. São José do Rio Preto e Ribeirão Preto que tinham outros cinemas e que era o Shopping que tava entrando com competitividade, tiveram sala VIP, mas no mesmo grupo do Shopping achou que Sorocaba não era necessário. O que aconteceu, ou seja nós começamos onde a gente achava que existia potencial e que não estava sendo atendido de imediato, nós começamos a rever a partir do sucesso do cinema a cobrar do shopping de que era a hora. E um dos lugares foi aqui em São Luís. Só que tem uma premissa que a gente trabalhou o tempo todo de não reduzir o número de salas existentes, mas sim ampliar o serviço. Então, até um caso que foi muito interessante, que foi o Natal Shopping, que eram 6 salas, onde a gente acabou fazendo uma sala VIP só, ou seja o que não é bom, pois você não tem escala de oferta, você está ofertando um filme só e de repente a sala VIP é um grande sucesso e o shopping que foi tão difícil pra ter a sexta sala pra ser a sala VIP, pra eles darem, era tanto sucesso que eles falaram: “Não, nó vamos arrumar uma área.” E arrumaram uma, tomaram o estacionamento do shopping, o aéreo, não estou falando do estacionamento do chão, porque lá não tem espaço. E hoje nós estamos fazendo no primeiro semestre mais duas salas VIP em Natal.

Então hoje nós estamos procurando os shoppings para reanalisar. E aqui em São Luís, infelizmente a gente revirou, revirou, revirou, porque não é só a sala VIP, aqui a gente também queria ofertar a sala MAX, com tela gigante e acabando não conseguimos. E como não tinha área e era impossível a gente conseguir uma, a gente pegou três salas já existentes, como já existia uma grande quantidade de salas e transformamos em VIP, mas o grande sonho nosso era ir para treze salas aqui.

E hoje nós estamos analisando e já temos diversas cidades que a gente tá olhando sala VIP, como aqui que nós já estamos inaugurando, fora Sorocaba e Uberlândia que estão em construção, nós já temos contrato de Natal e temos praticamente fechado com Jundiaí. E assim como estamos construindo alguns conjuntos que inclusive não terão sala tradicional, que é o caso do Gávea do Rio de Janeiro.

A sala VIP, ela é claramente um serviço não elitizado, você não pode ter essa visão de elitização. Você tem que analisar que existe público com poder aquisitivo e curiosamente também esse tipo de público tem uma ansiedade cultural maior, você tem uma diversidade de filme diferenciada. Você tem filmes que não são blockbusters que funcionam muito bem nessas salas.

Priscila: O Sr. acredita que essas novas expansões também podem significar o desenvolvimento de novas parcerias em projetos sociais (talvez até locais), como já existe com o Instituto Ayrton Senna, ou ainda sessões como o Vamos Todos a Cinépolis e o CineImagine?

Sr. Luiz: Eu acho, na realidade que a sala VIP não vai proporcionar parcerias porque você faz parcerias sobre um conjunto de salas. Nós estávamos até agora a pouco falando sobre o Festival Aruanda em João Pessoa. A parceria que nós fizemos mudou a escala do festival, então as parcerias são muito particulares e muitas vezes regional. Ou seja você tem uma parceria que atende uma cidade local, então não é a sala VIP que vai induzir a uma parceria. Ela até pode ter um tipo específico, mas é o conjunto do cinema, a atividade tanto social quanto cultural que traz isso. Em São Luís a gente já tem o Vamos Todos a Cinépolis nas salas tradicionais, e na verdade a sala VIP nem tem perfil pra fazer esse tipo de atividade. E o CineImagine só é possível por causa da sala 4DX, e é uma parceria decorrente da tecnologia, assim como sei lá, a gente pode fazer de repente algo se alguém descobrir um formato de evento na sala júnior.  

CINEMAGINE | E COMO SERIA IR AO CINEMA E NÃO PODER ENXERGAR AS CENAS NA TELONA? JÁ PAROU PRA PENSAR?

Priscila: Recentemente a Cinépolis Brasil lançou o seu programa de fidelidade, o Clube de Vantagens Cinépolis, algo que já estava consolidado nos outros países em que ela opera. Qual foi o retorno já observado nesse primeiro mês e como esse pode ser um diferencial nas futuras expansões que a empresa planeja no país?

Sr. Luiz: O clube de fidelidade decorre de você ter uma identificação com aquele cliente teu, não adianta nada você ter um clube de vantagens onde o cliente só tá buscando a vantagem. Tem que efetivamente ser um projeto a longo prazo, onde você começa a oferecer diferenciais pra ele. Nós estamos vivendo um primeiro momento de captação, que são poucas semanas, onde a gente tá na terceira semana com mais de cem mil pessoas inscritas. É um resultado muito bom! E também estamos numa fase muito preliminar, que é a fase de cadastro, de partida, que ao ter a base nós teremos sem dúvida um desenvolvimento muito maior e de identidade, pois é importante você saber quem é o seu cliente, que não é um, ele é multifacetado, então é você buscar atender as ansiedades dele. E o clube de vantagens tem essa boa vantagem de você estar falando com o cliente mais próximo teu.

É complicado no Brasil. Temos que lembrar que os dois maiores, que são os lançadores no Brasil foi a Varig que lançou. Ela quebrou e deixou uma base fantástica de usuários sem atendimento. E o outro foi da Tam que transferiu pro Multiplus, criando uma bela confusão e inclusive tirando vantagem do que o cliente tinha. Então, nós temos muita preocupação com o que a gente vai fazer na fidelidade. Tem que ser passo a passo, com o cadastramento e identificar efetivamente o que é que esse cliente quer. E não é um co-cliente, é um multifacetado.

Priscila: Eu também gostaria que o Sr compartilhasse conosco a sua sensação-sentimento, como líder do grupo no Brasil, ao poder desenvolver e anunciar tantas novidades e conquistas importantes como essas.

Sr. Luiz: Nós temos apenas sete anos no Brasil, que é bem menos que o nosso concorrente imediato que é o UCI. O Cinemark tem 20 anos, o Kinoplex que é o outro concorrente tem cem e o Araújo que atua no interior tem sessenta anos. Então é uma empresa muito nova, que veio com um diferencial, com uma forma diferente de atuar no mercado e pensar, criou um impacto e o mercado teve que rever isso. O que é muito bom, no sentido que tinha um mercado que era extremamente estático e de satisfação com o que tinha e de repente teve que reagir. Isso quebrou um ritmo de desenvolvimento nosso, que nos primeiros anos foi muito intenso, tanto que no início nós tínhamos doze mil salas e hoje temos três mil e duzentas, mas nós continuaremos investindo, e mais que investir, nós vamos buscar alternativas de mercado como a própria apropriação de salas VIP, construindo onde não tem, modificando, lançando o conceito de sala júnior ou salas de alta tecnologia como a 4DX.

Vamos seguir e acho que a retomada econômica do Brasil vai ter um diferencial, porque nós estamos buscando muito investimento e em muitos locais. E reduzindo os riscos do investimento, vai permitir que a gente vá pra muito mais locais que não tem. E mais, estamos revendo alguns conceitos, ou seja, de não necessariamente construir cinemas nos shoppings, pois você tem sistemas diferenciados de power centers ou até mesmo de um standalone, se for o caso, embora não tenhamos nada em vista, não está fechado hoje que a gente olhe o standalone. Você tem um cinema de vinte salas, embora eu acredito que os shoppings não serão mais os mesmos. Ou seja, com o e-commerce, não há possibilidade de os shoppings manterem o tipo de comércio que faz hoje. Isso vai originar que precisa de mais serviço, mais entretenimento. Essa é a tendência no mundo todo e todas as empresas de shopping já falam isso, o que pode propiciar que tenham modelos de cinemas diferente, como a gente estava falando do Gávea, um shopping mais sedimentado, lá você tem o Estação, com cinco salas de arte. Nós temos o Lagoon pertíssimo com seis salas, então o que é que você tem? Você tem seis salas passando blockbusters com programação diversificada no Lagoon, você tem muito perto o Kinoplex do Leblon fazendo o mesmo tipo de papel, você tem  o Gávea com o cinema de arte. O que falta na região? Falta o nosso serviço VIP.

Então eu acho que vai surgir muita coisa e nós vamos investir muito nos próximos anos, exatamente nesse novo mercado que está aparecendo.