Nota:

Data de lançamento 14 de dezembro de 2017 (2h 32min) Direção: Rian Johnson Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac mais Gêneros Ficção científica, Ação Nacionalidade EUA
9.0
Pros
Direção, Fotografia, Uso de animatrônicos,
Cont
Excesso de piadas, Ritmo problemático

Apesar da destruição da base Starkiller a primeira ordem não para de crescer, perseguindo e destruindo muitas bases da resistência. Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde.

Com roteiro e direção de Rian Johnson, A história contada é uma continuação direta do que vimos no episódio anterior. Agora a história se divide entre Fin, Poe Dameron e Ray. Acompanhar esses personagens em suas jornadas separadamente, faz com que tenhamos maior dimensão de suas personalidades, suas motivações e medos. E isso também é um problema, há momentos que a história se arrasta, tem muito a ser contado e vamos pulando de história para história. Isso, possivelmente, foi pensado para ser melhor aproveitado no próximo episódio. Não vemos aqui uma história épica, do tipo que vimos nos outros filme, não há uma estrela da morte a ser destruída, o que já é muito bom. Podemos dizer que é um roteiro corajoso, pois subverte algumas expectativas que temos, mas não chega a ir muito longe.  Há um aspecto sombrio, uma região cinza que torna todo aquele universo mais humano, e isso não é só usado com relação a Kylo Ren e Ray, mas em outros momentos do filme se reforça essa ideia. E nisso ele se distancia de tudo que vemos em Star Wars, o que é muito bom em comparação com o filme anterior.

Quanto a direção, Jhonson consegue dar continuidade ao trabalho de Abrams, mas indo além. O desenvolvimento dos personagens é um ponto principal, aqui ele consegue nos mostrar toda a complexidade de cada um deles. Seja em relações que esperávamos ser “lineares”, seja naquelas que esperávamos ser conflituosas. E podemos dizer que é o filme com visual mais sofisticado, é muito interessante o equilíbrio trazido entre o potencial que as novas tecnologias proporcionam, com o que já conhecemos da trilogia antiga. Destaque principalmente para a fotografia. A terça parte final nos brinda com frames de tirar o fôlego, e provavelmente estarão nas áreas de trabalho dos fãs. Outro ponto positivo é o uso de animatrônicos, estes deixam as cenas muito mais reais, as técnicas usadas impressionam, com personagens que nos levam a pura nostalgia. As lutas sejam no espaço ou em terra são bem limpas, de modo que conseguimos entender perfeitamente o que acontece, seus planos são sempre abertos, oferecendo a perspectiva da grandeza e da fúria das lutas. Contudo a primeira parte é recheada de piadinhas, muitas delas deslocadas e outras tirando o peso requerido da sequência. As lutas de sabre são um tanto decepcionante.

Quanto aos atores, destaque para Carrie Fisher, sua Leia é cheia de dor e sabedoria, ela dá a medida certa que a personagem precisa para acreditarmos que ela é mais que uma líder, é um símbolo de luta e resistência. Mark Hammil, nos entrega um luke perturbado por tudo que viveu. Cínico e cheio de culpa, é alguém que não tem mais interesse ao que está em sua volta. Daisy Ridley volta com Ray tentando entender pra onde ir e qual seu papel naquilo tudo, é uma atriz competente que consegue transmitir toda a confusão que sua personagem pede. Já John Boyega  faz um Finn menos interessante que o anterior, seu ímpeto de se sacrificar o deixa abobalhado. Oscar Isaac e seu Poe tem muito mais espaço que no longa passado, e mostra mais uma vez porque é um dos pilotos mais importantes da resistência, teimoso e com problemas com autoridade, ele faz de tudo, até as últimas consequências pelo que acha certo. Adam Driver e seu Kylo Ren, dá continuação ao arco anterior, mas surpreendentemente é um personagem mais seguro e é capaz de nos surpreender em suas escolhas e atitudes. O General Hux de Domhnall Gleeson aparece tão arrogante quanto o filme anterior, mas em certo ponto muda de postura de acordo com os acontecimentos, o ator consegue nos passar todo oportunismo do personagem. Já a capitã Phasma (Gwendoline Christie) e o supremo líder Snoke (Andy Serkis), não tem uma grande participação e isso pode decepcionar alguns fãs.

Star Wars: Os últimos jedi é um filme corajoso, bonito e sofisticado. Se distancia de tudo que já vimos na saga abrindo muitas possibilidades para o último filme dessa trilogia, Agora é esperar mais de um ano para o próximo. Que a força esteja conosco.