The Breakdown

Data de lançamento 11 de abril de 2019 (2h 32min) Direção: Luca Guadagnino Elenco: Dakota Johnson, MiaGoth, Ingrid Caven, Angela Winkler, Sylvie Testud, Chloë Moretz e Tilda Swinton Gênero: Terror Nacionalidade Itália, EUA
9.0

Anos 70, Susie Bannion (Dakota Johnson), uma jovem bailarina americana, vai para a prestigiada Markos Tanz Company, em Berlim. No mesmo dia de sua chegada, a também dançarina Patrícia (Chloë Moretz) desaparece misteriosamente. Tendo um progresso extraordinário e se destacando logo em seu teste, com a orientação de Madame Blanc (Tilda Swinton), Susie acaba fazendo amizade com outra dançarina, Sara (Mia Goth), que compartilha com ela todas as suas suspeitas obscuras e ameaçadoras do conceituado local.

O roteiro de David Kajganiche este resgata um tipo de horror que foi muito popular nos anos 80, mas que andava esquecido, o body horror. Aquele em que os corpos se deformam de forma grotesca, perdendo o seu aspecto natural (o maior exemplo é o filme A Mosca de 1986, mas temos muitos outros). O roteiro não tem pressa a nos apresentar os personagens ou a escola em si. E desde o início ficamos sabendo que naquele lugar algo está errado. Esse sentimento vai numa crescente de forma lenta e envolvente, sendo a maior parte subjetiva, mas quando vemos as ações de desenrolando, é grotesco, violento e explícito. Toda o foco da narrativa gira em torno da dança, da forma de dançar da técnica, isso é interessante, pois no Suspiria (1977) original o ato de dançar era apenas um meio, aqui ele está no centro, inclusive do momento final, crucial para a história. E dessa forma esse roteira se distancia do original, o corpo que dança é o protagonista e o horror da deformação, do desvio do que é natural,  cria uma discussão entre arte e beleza (que chega a ser verbalizada). Outro diferencial são as explicações sobre o que permeiam toda a história vindo do arco do psicanalista, às vezes a história se arrasta, mas é fundamental para explicar o que veremos depois. O final é surpreendentemente diferente do original.

A direção de Luca Guadagnino, e ele não faz só um filme que se passa nos anos 70, como filma como se estivesse nos anos 70. Toda a estética setentista é explorada ao máximo, nos colocando naquela década. E ele dosa momentos muito simplórios com uma violência extrema, e aqui fico o registro da montagem que impulsiona as cenas de horror combinadas com as belas danças. O diretor cria uma atmosfera de terror e nos vai dando pistas do que podemos esperar no futuro e ao contrário do filme anterior, esse não explora tanto as cores saturadas preferindo pelas cores mais lavadas. O final é um grande acontecimento em vários sentidos, muito gore, muito grotesco uma cinematografia apurada e um final surpreendente

Dakota Johnson entrega uma personagem que aparentemente frágil, entende o que está acontecendo e quais as atitudes tomar. Mia Goth, nos apresenta a personagem mais complexa do filme, ela passa pelo arco mais interessante e surpreendente. Ingrid Caven, Angela Winkler e Sylvie Testud compõem o corpo de professoras da escola que contribuem para o ar pesado e gélido da escola. Chloë Moretz apesar de ter uma participação pequena, é marcante. Mas o grande destaque é mesmo Tilda Swinton interpretando 3 personagens muito diferentes e dando uma aula de atuação em cada um. Na mais importante, Madame Blanc, ela é capaz de de ser ameaçadora e doce ao mesmo tempo, misteriosa e objetiva, é uma atuação muito sutil.

Suspiria é um excelente remake, traz uma nova abordagem é surpreendente, complexo e resgata um subgênero de terror (body horror) com maestria