Nota:

Título Original: The Post Lançamento: 25 de janeiro Direção: Steven Spielberg Roteiro: Josh Singer, Elizabeth Hannah Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Alison Brie, Carrie Coon, David Cross, Bruce Greenwood, Tracy Letts, Bob Odenkirk, Sarah Paulson, Jesse Plemons, Matthew Rhys, Michael Stuhlbarg, Bradley Whitford e Zach Woods.
9.0

Dia desses revendo o episódio de uma série – a sul-coreana Descents of the Sun – ouvi o seguinte diálogo:

“ P1 – Que esporte praticava?  

Eu lutei judô até o segundo ano do colegial.

Por que estava sendo agredido?”

 

“P2 – É assim que acaba mais rápido.

Como sabe que eu treinava alguma coisa, de qualquer forma?”

“P1 – Sua postura enquanto te batiam.

Você aprende a apanhar antes de aprender a bater.”

 

Agora, ao pensar como começar a escrever sobre The Post –  A Guerra Secreta, essa última frase me retornou à mente, primeiro pelo protagonismo feminino demonstrado pela personagem Katharine Graham, muito bem interpretada por Meryl Streep, evidenciando que não só naquela época como ainda hoje as mulheres são subestimadas em sua inteligência e poder de ação, como também por me fazer pensar que por mais que os governantes manipulem a população e ajam como se fossemos nós os seus  subordinados, quando na verdade deveria ser o contrário, afinal eles são elegidos para cumprir uma determinada função e não para brincarem de donos do mundo, colocando seus interesses pessoais em detrimento do que de fato será benefício para a população.

E digo isso por ser testemunha do quanto a capacidade de reação das mulheres diante daqueles que as querem oprimir tem crescido e se fortalecido ao longo dos anos, e também por ser mulher e viver na pele esse tipo de situação. Do mesmo modo observo como populações inteiras têm se revoltado com as práticas de seus governos corruptos. Ou seja, estamos aos poucos, depois de muito apanhar, aprendendo a bater, a não ouvir calados, a não deixar simplesmente as coisas passarem como se nada tivesse acontecido, como se fosse “normal”. Porém é uma luta diária, para cada um.

Em The Post o start para a ação se dá quando a imprensa, num primeiro momento representada pelo jornal americano The New York Times, que já vinha noticiando uma série de matérias com informações sigilosas sobre a atuação do país na Guerra do Vietnã, é processada e impedida pelo governo de Nixon de publicar novos documentos que comprovam a manipulação dele e de seus antecessores quanto ao que de fato estava sustentando esses 20 anos de conflitos e batalhas devastadoras.

O filme, que é baseado numa história real, mostra então como tais documentos foram parar nas mãos do também jornalista Ben Bradlee (Tom Hanks), editor do The Washington Post, o ainda desconhecido jornal de Katharine Graham e sua família, acompanhando a tensão por trás da decisão de publicar ou não, considerando as retaliações do governo. É interessante ver que a sua atitude mudaria não somente a história do seu jornal e como ele se tornaria reconhecido mundialmente por ter confrontado o governo da já grande potência, lutando pela e exercendo a liberdade de expressão, como também mudaria os rumos da história pessoal de Kat, visto que consolidou a sua posição de liderança, numa empresa criada e comandada por homens até aquele momento.

The Post é uma homenagem à jornalistas e imprensa que cumprem com sabedoria e respeito a sua função de informar e formar opinião, igualmente é uma inspiração e motivação para aqueles que pretendem seguir a carreira. O longa de Steven Spielberg é bem sucedido, conseguindo equilibrar tensão, humor, bons diálogos e tem grandes chances de levar Meryl à conquista de mais uma estatueta do Oscar, mesmo sabendo que a concorrência vai ser forte, que o diga Frances McDormand com Três Anúncios Para Um Crime, que esteve na 41ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Embora com uma participação pequena, Sarah Paulson, que vive a esposa do personagem de Hanks, em uma cena com ele, tem uma das falas mais marcantes ao meu ver, pois demonstra sensibilidade e empatia para com a delicada posição da personagem de Meryl, chamando inclusive nesse momento a atenção do esposo para algo que ele sequer havia observado.

E pra encerrar, deixo uma frase citada pela protagonista:

“As notícias são o rascunho da história.”

Nesse caso poderíamos dizer que o cinema seria uma boa maneira de rememorá-la?!