TOPFLIX | Amadeus


Viena, século XIX, acompanhamos o compositor Italiano Antonio Salieri num manicômio após tentar suicídio pedindo perdão por ter matado Mozart, falecido há muito tempo. Ele passa a contar a um padre seu relacionamento com o compositor e os motivos que o levaram a se declarar culpado.

O roteiro é baseado numa peça de teatro (ficcional), de mesmo nome, do dramaturgo Peter Levin Shaffer, também responsável pela adaptação. Nele somos apresentados a Antonio Salieri, músico esforçado, católico fervoroso, que entendendo a música como um dom divino, uma forma de Deus se comunicar, passa a se dedicar a ela como um ato de fé. Eis que Salieri então conhece o jovem Mozart, já com fama em Viena, que demonstra um grande talento desde muito novo. E é aqui que começa o sofrimento de Salieri, e o ponto central da narrativa. Mozart é tudo aquilo que ele mais detesta: Lascivo, infantil, imaturo entre outros. Isso desperta no compositor italiano o questionamento de como um homem como aquele pode ser tão genial. Para ele é uma injustiça divina, alguém assim ser agraciado com tanto talento. E a partir disso, vemos alguém que se consome em inveja, ao mesmo tempo que não consegue escapar ao reconhecimento de uma capacidade muito acima de si próprio. O amor e o ódio andando lado a lado.

A direção de Miloš Forman dosa perfeitamente a dualidade da admiração com o ódio que Salieri sente através de sequências fortes e ao mesmo tempo delicadas. O modo como ele usa a música mantém o espectador mais envolvido com a história. É uma direção ponderada, que sabe para onde quer nos conduzir. Outro ponto forte é a direção de arte, que se utiliza de muitas riquezas de detalhes para construir uma época de luxo de uma das mais importantes monarquias desse período.

Quanto aos atores, o destaque maior é para  F. Murray Abraham, com seu Salieri sério e contido publicamente, sendo incapaz de mostrar qualquer outro tipo de sentimento que não seja bondade, entretanto sozinho deixa escapar o seu outro lado. E o ator faz uma atuação perfeita, conseguindo passar toda emoção apenas com expressões. Seu amor pela música e todos os sentimentos despertados por ela é genuíno, acreditamos que aquela pessoa vive da música e para música. Já Tom Hulce nos traz um personagem infantil, às vezes ingênuo, que ama a música acima de tudo e não tem medo de  inovar, de correr riscos.

Amadeus ganhou Oscar em 1984 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (F. Murray Abraham), Melhor Direção de Arte , Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Som e ainda Melhor Roteiro adaptado. Sendo, indiscutivelmente, o grande vencedor da temporada. É um grande estudo de personagem que tem na inveja seu ponto central e como ela pode destruir a vida tanto do invejado quanto do invejoso.

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