Nota:

Título Original: The Children Act Direção: Richard Eyre Roteiro: Ian McEwan Elenco: Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead Nacionalidade: Inglaterra Gênero: Drama
7.0

Chegou aos cinemas nacionais na última quinta (21/03), o novo longa estrelado por Emma Thompson, como a juíza Fiona Maye, alguém que tem na mãos não somente o poder de decisão sobre a vida de outras pessoas como alguém que faz disso a prioridade de todos os seus momentos, inclusive negligenciando o próprio casamento e a relação de amizade e cumplicidade que possuía com o marido Jack, interpretado por Stanley Tucci.

Direta, incisiva, muito dedicada e estudiosa, Fiona parece ter se esquecido de que a vida é muito mais que o trabalho e os casos super complexos que chegam diariamente às suas mãos. E ainda, que não importa o quanto ela se doe e pondere sobre a melhor decisão, os resultados podem se demonstrar imprevisíveis e inconstantes, e nem mesmo ela está livre dos reflexos disso a curto e longo prazo.

Um Ato de Esperança nos apresenta e discorre sobre o poder que nos é concedido, dentro e fora de uma corte, e de que maneira nossos atos impactam também aqueles que nos cercam. Não é preciso ser uma juíza para transformar a vida de alguém, no entanto quando você ocupa uma posição como essa, seu discernimento ganha um peso e um respeito maior, o que não lhe impede também de cometer enganos, dentro e fora desse ambiente.

E é nesse contexto que Fiona tem um despertar para a vida e o quão frágil ela pode ser. Não somente no sentido de sua finitude, quanto no sentido de que mesmo breve, nossa passagem pode ser intensa e arrasadora. E tudo isso vem à tona depois de uma decisão considerada incomum, qual seja conhecer o personagem que seria “beneficiado” ou “prejudicado” pela sua decisão no tribunal, um jovem próximo de completar 18 anos, entretanto a beira da morte e recusando o tratamento que poderá lhe dar um fôlego a mais de vida, devido à sua fé e a de sua família.

Esse ato não só lhe permite se certificar do que iria decidir, como também provoca uma conexão com o jovem, algo totalmente inesperado, todavia perturbador para ambos. E o desfecho é algo que também não seria comum, mas em algum ponto compreensível.

As atuações são sensíveis e marcantes, ao ponto de inspirar questionamentos nos espectadores sobre como agiriam em tal posição, que atitudes poderiam ser as mais acertadas ou pertinentes para momentos assim. Mas na verdade é que nunca se sabe, pois até mesmo nas certezas podemos encontrar brechas para que a hesitação ganhe espaço.