Um Estado de Liberdade | Crítica


“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.” Nelson Mandela

A triste mancha histórica que acompanha a humanidade: racismo, intolerância, ódio e guerras são os argumentos desenvolvidos no roteiro de Gary Ross, que também assina a direção do longa “Um Estado de Liberdade”, baseado na vida de Newton Knight e que chega aos cinemas brasileiros hoje, 17 de novembro.

Um Estado

O longa que tem seus primeiros 10/15 minutos bem intensos devido às cenas das batalhas – fazendo-nos recordar talvez um pouco de filmes como “Coração Valente” e “O Patriota” – , adquire um ritmo mais lento, sem perder a grandeza com diálogos consistentes, cenas muito bem executadas, caracterização e cenários bem fiéis às características da época e alguns flashs do futuro – talvez pecando um pouco aí, pois gera uma certa quebra nas sucessões dos fatos – e as consequências dos atos do protagonista.

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Estrelado por Matthew McConaughey, que dá vida a Knight, Gugu Mbatha-Raw, Maherashala Ali e Keri Russel, o filme mostra a difícil trajetória desse homem que decidiu ir contra tudo com o que não concordava e como isso reverberou em sua história. Após lutar na Guerra Civil Americana como enfermeiro, cansado de ver tantas crueldades e perder seu sobrinho adolescente em campo, ele decide levá-lo para um enterro decente junto à sua família e com isso se tornar um desertor. Totalmente insatisfeito com os rumos que o país esta seguindo, mantendo uma guerra na qual apenas os pobres e escravos sofrem, enquanto os ricos são poupados dentro de suas mansões confortáveis, ele se une a escravos fugitivos e outros camponeses na luta por um estado livre.

Matthew apresenta um protagonista forte, sábio, um político ativista com um extinto de liderança nato, capaz de se rearticular diante de ataques incontáveis, acompanhado em mesmo nível pelo personagem de Maherashala Ali, um escravo que luta incansavelmente pelo ideal de liberdade para si e para os seus. Como foi baseado em fatos reais, recebemos muitas das informações de passagens históricas através de caixas de texto em tela – ganhando com isso em alguns momentos um certo tom de documentário – com imagens de fundo em preto e branco ou sépia.

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É um filme que toca nas raízes de muitos problemas ainda presentes atualmente – surgimento de movimentos como a Ku Klux Klan com ataques violentos a afro-descendentes e crimes de ódio para aqueles “considerados fora do padrão”, violência conta a mulher, assédio sexual, manipulações em eleições, excesso de impostos, … – e que nos faz enxergar pela ótica do diretor que assim como para os protagonistas, a nossa luta também é infindável, sendo um passo a cada dia na busca por um mundo melhor, mais igualitário e  justo, tentando equilibrar os ganhos e perdas, afinal eles caminham juntos.

Título Original: Free State of Jones
Direção:
Gary Ross
Roteiro:
Gary Ross
Elenco:
McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Maherashala Ali

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