The Breakdown

Data de lançamento 5 de abril de 2018 (1h 30min) Direção: John Krasinski Elenco: John Krasinski, Emily Blunt, Millicent Simmonds mais Gêneros Suspense, Terror Nacionalidade EUA
10.0

Para falar de um filme tão eficiente quanto ‘Um Lugar Silencioso’, muitos elementos precisam ser levados em conta. Um dos mais básicos é a liberdade criativa: a mente pensante que está por trás do projeto deve ter certeza do que quer contar, e com isso, John Krasinski armou uma armadilha perfeita para cairmos aos gritos. Ele inclusive produziu, dirigiu e co-escreveu, além claro, de interpretar um dos principais papeis do longa.

O resultado de tanto envolvimento é um filme honesto, concreto e aparentemente pequeno, com poucos personagens, poucas locações e uma duração perfeita (abençoados 95 minutos, nos quais uma extraordinária experiência cinematográfica é condensada).

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Sem revelar nada de fundamental, em ‘Um Lugar Silencioso’ encontramos uma família que mora na floresta, tomando cuidado para não emitir nenhum barulho alto. A razão é que eles são assombrados por seres que são atraídos pelo som.

Essa família é composta pelos pais (John Krasinski e Emily Blunt ) e três filhos, fato que torna a tarefa de passar a vida despercebidos especialmente complicada. Devemos acrescentar ainda um plus a esse cenário, a irmã mais velha, Reagan ( Millicent Simmonds ), é surda e o seu aparelho auditivo está quebrado, o que significa que as vezes, não sabe o que acontece ao seu redor.

Além de ter uma visão muito precisa, Krasinski soube contar a história com ritmo e tensão para que o espectador não se perdesse (especialmente quando os efeitos especiais se tornam muito relevantes em momentos específicos). Este filme não desiste e joga brilhantemente com as expectativas do público.

Casados na vida real, Emily Blunt e John Krasinski  fazem um excelente trabalho, mas ficam para trás ao vermos o desempenho de Millicent Simmonds e do pequeno Noah Jupe. A jovem atriz é surda na vida real, o que traz uma grande vantagem para sua personagem, tornando-a muito credível.

Sua sonoplastia é medida, e os efeitos sonoros nos transportam de uma forma que sabemos até qual dos personagens é o ouvinte. Para o filme, teria sido fácil ser influenciado por clichês no campo muito fértil de mundos pós-apocalipticos, mas o risco é bem resolvido: é emocional quando se propõe, assustador e misterioso quando ele joga o suficiente para manter-nos na expectativa.

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O diabo está nos detalhes e este filme de terror está cheio deles. Com grande habilidade, em alguns momentos, o roteiro permite que o espectador preveja o que acontecerá, com o desenvolvimento de sequências de suspense, vestidas com ameaças que fazem você pular na poltrona, e respirar somente quando se sentir seguro.

Porém esse filme de “terror”, não negligencia o drama íntimo humano que está por trás dessa história: um de Reagan, cuja falta de audição é sempre um risco acrescido para ela e os outros componentes da família e, por outro lado, a dos pais que precisam ajudar seus filhos a amadurecer e a cuidar de si mesmos, sem se colocarem em perigo. Afinal agora todos sobrevivem sabendo que são presas em uma nova ordem social em que o ser humano desceu um degrau na cadeia alimentar.

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Este não é um desses pequenos filmes que precisamos esperar até o final para sabermos o que acontece: ele mostra tudo em seu devido tempo e nos dá arrepios. É, sem dúvida, até então, o melhor filme de “terror” lançado esse ano.

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