Valerian e a Cidade dos Mil Planetas | Crítica 2 + Coletiva Luc Besson e Dane DeHaan


O cineasta francês Luc Besson, mundialmente reconhecido mundialmente por filmes como O Profissional que lançou Natalie Portman – e que eu gosto muito, tendo assistido várias vezes na infância/adolescência – , O Quinto Elemento e Lucy – que me agradou bastante na época que assisti – lança hoje nos cinemas nacionais o seu Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, longa inspirado na HQ Valerian: O Agente Espaço-Temporal, de Pierre Christin, Jean-Claude Mézières e Évelyne Tranlé,  a qual Luc conheceu ainda na infância, mais precisamente aos 10 anos, como ele contou na coletiva da qual participei em São Paulo na quinta, 03/o8.

O filme narra a história dos agentes espaciais Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne), encarregados de manter a ordem em todos os territórios humanos no século 28. Considerando que nesse momento da história humana já convivemos “fraternamente” com seres de outros planetas, especialmente numa cidade chamada Alpha, uma megalópole em constante expansão, onde milhares de espécies de todo o universo se reúnem há séculos para compartilhar conhecimento, inteligência e cultura uns com os outros. E como sociedade, Alpha possui representantes de cada uma dessas espécies, formando um conselho para zelar pelo bem e segurança de todos. Quando uma importante ameaça surge pondo em risco a pacífica existência da Cidade dos Mil Planetas, Valerian e Laureline são ordenados pelo Ministro da Defesa, a embarcarem numa missão para identificar e aniquilar aquilo que pode destruir o futuro de todo o universo.

Partindo dessa premissa temos um casal de protagonistas praticamente tradicional, no qual o homem banca o forte, esperto, conquistador e que acredita que é quem sempre vai salvar a situação, enquanto ela possui muita beleza física a seu favor e tenta se destacar por suas habilidades e inteligência, tendo sempre que se provar capaz e escapar do estigma de mulher bonita apaixonada seguindo o macho alfa. As intenções de Luc como diretor e roteirista são boas, as mensagens de valorização do planeta, do cuidado com a natureza e o respeito pelo outro, seja quem for, prática do perdão e união pelo bem comum, que são bem pertinentes e desenvolvidas em um visual belíssimo, colorido e muito vivo. As referências à outras obras como por exemplo Star Wars, com seus Ktrons, uma trilha sonora com o hit consagrado de David Bowie, Space Oddity e ainda a pulsante A Milion on My Soul de Alexiane. Porém ele esbarra no excesso de clichês no desenvolvimento de sua narrativa e uma atuação morna, sem muita química de seus protagonistas. É certo que Cara ao longo do filme vai conquistando o seu espaço e um pouco mais de empatia, contudo o mesmo não ocorre com Dane.

Por outro lado temos um trio Doghan Daguis – seres que parecem uma mistura de patos, com dragão de comodo e mais algumas criaturas – que em poucas aparições e diálogos roubam a cena, bem como o fofo Melo com seu incrível dom da multiplicação e ainda uma rápida participação da também cantora, Rihanna, que poderia ao meu ver ter tido um melhor aproveitamento de seu talento, afinal beleza todos já sabem que ela possui, e por pouquíssimo quase que seria apenas isso que teria representado a sua passagem, um personagem de beleza extrema, capaz de atrair olhares e atenção apenas por esse esteriótipo. Em suma é um filme que te permite alguns momentos de diversão e se você for um pouco mais atento, pode resgatar algumas boas reflexões nas entrelinhas.

De passagem pelo Brasil para divulgar Valerian, o último país lista, Luc Besson e Dane DeHaan, conversaram com a imprensa numa coletiva que aconteceu na tarde de quinta, 03 de agosto, em São Paulo, da qual nós do CinemaSim! participamos.

Sobre as dificuldades de atuar usando Chroma key, Besson pontuou que isso não interfere tanto no processo do ator, uma vez que eles estão interagindo com outros atores, e o foco é sempre a pessoa que está a sua frente, independente do ambiente, pois ele sempre usa atores, ainda quando o personagem seja um animal rastejando no chão ou outro ser qualquer.

Quanto a escalação de Rihanna, ele foi bem direto ao dizer que não a conhecia, mas que ela foi bem no teste, tem talento e enquanto estava no set, ela era a profissional atriz, não a cantora com sua comitiva fazendo um show.

Já para Cara, ele disse que ela é acima de tudo uma atriz muito promissora, que ele sabe reconhecer um talento quando vê um, afinal foi ele quem trouxe Natalie Portman e Milla Jovovich para as telonas e o sucesso.

Ele também contou que 8 meses antes da equipe começar a gravar, ele já tinha alguns profissionais trabalhando na pós-produção das cenas que não tinham personagens. Ele inclusive manteve esses profissionais que estavam em diferentes parte do mundo sem contato entre si para que pudessem explorar toda a sua criatividade, sem limitações.

O desejo por filmar essa história nasceu do seu próprio interesse pela história que o acompanha desde os 10 anos de idade, quando descobriu a HQ, se apaixonou pela personagem de Laureline, que mesmo a história se passando num futuro bem distante, ela era old fashion, queria se casar com um homem, constituir família. Para ele a HQ foi uma salvação da rotina de criança no interior da França onde abria a janela e via vacas e quando ligava a tv, tinha apenas um canal em p&b.

Sobre ter sempre personagens femininas fortes em seus trabalhos, ele diz que isso para ele é natural, pois sempre esteve rodeado de mulheres cheias de dignidade e força, começando pelas da sua própria família. E embora ele goste de filmes como o de James Bond, ele não reconhece aquele esteriótipo de mulher apresentada nessas histórias na maioria das vezes, não é a imagem de mulher que ele tem construída em sua mente, em que elas estão em perigo, frágeis, chorando enquanto aguardam passivamente serem resgatadas pelo galã.

Para Luc Besson, Valerian é uma história de amor, onde a moça conhece o cara, eles se apaixonam, aprendem e ensinam um com o outro, há encontros e desencontros, mas eles estão conectados desde o início.

Já Dane ponderou que seu personagem não é o estilo super herói, como Thor, portanto ele também precisa de alguém forte ao lado dele, com quem ele possa contar e confiar, como é o caso de Laureline.  Sem ela ele não seria nada. E isso é uma coisa que ele ama sobre os protagonistas, que eles são um time.

E ao questioná-los sobre qual personagem da história eles gostariam de ser por um dia, Dane disse que escolheria a cada dia da vida dele ser Rihanna (Hahaha essa não era a resposta esperada, afinal ela atua no filme como um personagem e não como ela mesma, o que gerou muitas gargalhadas, inclusive de Besson), ele ainda complementou dizendo que pensa que é o que todos nós desejamos. Já Besson gostaria de ser o personagem interpretando por Rihanna, Bubble, que possui habilidades semelhantes a um metamorfo, podendo assumir diferentes formas e assim poderia ser qualquer um.

Eles foram bem fofos durante a coletiva, desenvolvendo bem as respostas e interagindo conosco. Dane até mesmo fez alguns stories da plateia composta pela imprensa para o seu perfil pessoal no Instagram.

Título Original: Valerian and the City of a Tthousand Planets

Lançamento:  10 de agosto de 2017 

Direção: Luc Besson

Roteiro: Luc Besson

Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Clive Owen, Ethan Hawke, Rihanna

Gênero: Fantasia, Ficção científica, ação, aventura

Nacionalidade: França

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