Velozes e Furiosos 8 | Crítica


Com o posto de uma das franquias mais lucrativas do cinema atual, Velozes e Furiosos está de volta às telonas com seu oitavo filme. Depois do sombrio e tocante sétimo longa, que marcou a morte trágica de Paul Walker e foi dirigido por James Wan, a grande dúvida sobre os rumos que a série iria tomar foi respondida. Vemos aqui um filme que mantém o clima dos anteriores e funciona mesmo sem um dos seus protagonistas, indo além na expansão do seu próprio universo megalomaníaco e surreal nas mãos do diretor F. Gary Gray.

Seguindo a linha tomada pela franquia a partir do quarto filme, novamente temos uma trama que mistura espionagem com o mundo das perseguições e corridas de carros. A história começa logo após a “aposentadoria” de Brian (Walker). Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) estão curtindo sua lua de mel em Cuba quando Cipher (Charlize Theron), uma habilidosa hacker terrorista, cruza seus caminhos e convence Dom a trair sua tão estimada família de amigos. Com o objetivo de impedir os planos de Cipher e descobrir a verdade por traz da traição de Dom, a equipe de corredores mais habilidosa do mundo é reunida para mais uma missão sob a liderança de Hobbs (Dwayne Johnson).

Durante a trama, velhos conhecidos da franquia retornam para seus papéis e novos rostos entram para o elenco, talvez na esperança de preencher o vazio deixado pela morte de um dos seus protagonistas. As mudanças na dinâmica da equipe são sutis e funcionam, não deixando o espectador desconfortável com a falta que Paul Walker poderia causar. Scott Eastwood (filho de Clint Eastwood) se junta ao elenco como uma possível substituição para o papel de Brian na equipe. Sua adição faz sentido e seu papel desenvolve uma boa química com o resto dos personagens. Jason Statham está de volta no papel de Deckard, acompanhado da participação especial de Luke Evans e da surpreendentemente divertida Helen Mirren. Mas o destaque fica inteiramente para Charlize Theron, que mostra sua habilidade em interpretar uma vilã extremamente traiçoeira, inteligente, manipuladora e sexy.

Além do elenco extenso e cheio de grandes nomes famosos, o principal trunfo do filme é não negar a própria surrealidade, investindo em uma narrativa cheia de frases de efeito, personagens exagerados e canastrões ao extremo, alívios cômicos constantes e, principalmente, momentos de ação apoteóticos. E tudo isso funciona muito bem junto! Muito bem executadas, as cenas de perseguição envolvendo os potentes e caríssimos carros são o ponto alto do longa e são o que mais prende o espectador na cadeira durante os longos 136 minutos de projeção. Num estilo que lembra a megalomania dos filmes antigos de 007, o longa brinca com o impossível o tempo inteiro seja através de bolas gigantes de demolição, chuvas de carros zumbis em plena Nova York ou uma corrida entre carros esporte e um submarino nuclear em um mar de gelo na Rússia.

O que poderia ser um tiro no pé, nesse caso se torna apenas mais um elemento de um universo onde personagens tão carismáticos conquistam quem assiste de tal forma que toda a irrealidade do roteiro se torna algo possível e crível em um filme que diverte e segura de forma eficiente a atenção do seu público. Os atores sabem disso e parecem se divertir em seus papéis, fazendo referências à outros filmes e utilizando a metalinguagem de forma sutil para trazer humor às cenas.

Claro que a parte dramática da trama perde um pouco nesse mix de humor e surrealidade. Vin Diesel se mantém como o protagonista da franquia, vendo seu personagem seguir um caminho sombrio e complexo nas mãos de Cipher e guiando todos os personagens e acontecimentos em função da sua jornada. Mas a questão moral por trás da sua traição e como isso afeta a equipe é prejudicada e tratada de forma superficial entre o vai e vem do roteiro entre momentos cômicos e momentos sérios. Se por um lado entendemos ao longo do filme o motivo para suas ações como “vilão”, por outro vemos seus amigos agindo de forma quase apática, sem parecer completamente afetados por um golpe pelas costas de alguém que tanto confiavam. Reflexo talvez de atuações focadas mais no humor e em momentos de ação do que na carga dramática exigida por trás de seus personagens.

Com uma fotografia urbana e uma trilha sonora moderna e envolvente, Velozes e Furiosos 8 chega para cumprir a promessa constante da franquia de superar a grandiosidade dos seus antecessores, apesar de suas falhas. Com as cenas de ação mais surreais e alucinantes da franquia até aqui, bons momentos de humor e uma trama interessante, o filme mantem sua qualidade e promete fazer sucesso nas bilheterias, reforçando um universo amado por um público tão fiel quanto Toretto e sua equipe de corredores.

Data de lançamento 13 de abril de 2017 (2h 16min)
Direção: F. Gary Gray
Elenco: Vin Diesel, Jason Statham, Dwayne Johnson, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, Charlize Theron, Kurt Russel, Nathalie Emmanuel, Luke Evans, Scott Eastwood, Elsa Pataky, Kristofer Hivju
Gênero: Ação
Nacionalidade: EUA

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