Venha descobrir mais sobre Simone Kliass, do Pixel Show direto pro CinemaSim.


Aconteceu no último fim de semana em São Paulo, a 14ª Edição do Festival Internacional de Criatividade Pixel Show, que movimenta milhares de pessoas  e já se consolidou como o maior festival de criatividade na América Latina.

Esse foi o primeiro ano que participamos e de cara já adoramos. Artistas de todas as áreas encontram um espaço nele para se apresentar, compartilhar e aprender juntos. Tanto que é possível encontrar tatuadores, pintores, fotógrafos, colecionadores de figures, a galera do audiovisual e da música… Enfim, todos os nichos se encontram e movimentam juntos um fim de semana inteirinho com tudo que há de melhor e mais interessante para ser explorado.

E foi assim, que como representante do CinemaSim nessa jornada, fui apresentada à Simone Kliass, uma mulher de múltiplos talentos e que encontra caminhos para cultivar e espalhar todos por onde passa. E no Pixel Show não tem sido diferente. Como apresentadora do festival há 3 anos, nessa edição ela também agregou junto a  seu sócio Jason Bermingham a curadoria da Pixel Voice, um evento precursor voltado para profissionais da voz, no qual eles podem falar da potência desse recurso e encontrar juntos meios para fortalecer esse mercado.

Com a intermediação da Luli Liebert da Lado C, a Simone nos concedeu essa super entrevista que vocês podem conferir agora.

1 – Gostaria que você começasse contando um pouquinho de você, sua trajetória e referências. Nesse sentido, qual era a sua relação com a voz na infância e como foi se aproximando da carreira de atriz/dubladora, considerando que você começou tão cedo?

Iniciei a minha carreira aos 9 anos como atriz de comerciais. Minha mãe era atriz na época e eu a acompanhava nos testes. Até que me convidaram para participar dos testes e eu topei. Fiz teatro amador, me formei em teatro no Célia Helena ao mesmo tempo em que estudava administração de empresas na FGV. Quando tinha 15 anos gravei a campanha de uma revista como atriz e acabei gravando as locuções dos spots. Mas depois voltei a gravar locuções anos mais tarde.

Meu pai foi um dos fundadores da Traditional Jazz Band, sou sobrinha neta do maestro Kliass que foi professor do João Carlos Martins, e temos vários outros parentes músicos. Eu não toco nenhum instrumento, mas cresci no meio musical. 

A locução começou pra valer quando fui “dublar” a minha voz em um comercial da revista Época que tinha gravado como atriz. O som direto gravado na rua não ficou bacana, então fui na produtora de áudio Supersônica dublar minhas falas com o Ed Côrtes (que participou do Pixel Voice – painel produtoras). Na semana seguinte fui chamada pra gravar uma campanha de Marisa e tudo começou. Foi uma longa jornada.

2 – Sua voz se tornou uma das mais reconhecidas em nosso país, estando presente desde obras audiovisuais, programas de computador e até mesmo no Aeroporto de Guarulhos, o maior do país e com uma movimentação intensa diariamente.

Pensando nisso, foi natural que você também se tornasse uma pesquisadora, sabendo que apesar de a voz não ser o seu único instrumento de trabalho, mas é talvez o que se sobressaia para alguém que apenas ouve algo na tv narrado ou dublado por você?

Sempre estudei muito sobre locução: interpretação, gerenciamento de carreira, como montar um home studio…Há três anos quando fiz uma matéria para a revista Sound on Sound (onde sou colaboradora) na produtora de som Raw Audio sobre som  imersivo, som pra realidade virtual, percebi que um campo enorme se abriu, não só para os produtores de áudio, mas também para os locutores.

Em uma experiência imersiva, a voz, a locução não pode ser igual a de um comercial de TV. Daí surgiu a necessidade de iniciar uma pesquisa, um estudo de como ela deveria ser. Comecei a frequentar com o Jason Bermingham – meu sócio – festivais como o SXSW em Austin, e a conferência VO Atlanta (encontro de locutores), montamos um grupo de estudo multidisciplinar com profissionais que trabalham com VR, entrei para o hub XRBR de produtores de XR no Brasil e o estudo continua.

3 – Comente um pouco como isso se dá pra você, como isso te auxilia nos cuidados com a saúde e outras questões importantes que para nós leigos talvez nunca tenha passado pela mente.

Um locutor sem voz não consegue trabalhar! Então temos vários cuidados: hidratação é número 1, dormir bem, fazer exercícios vocais todos os dias, alongamento também, cuidar pra não gritar em ambientes onde o som está muito alto. O cigarro também prejudica a voz, além de fazer mal pra saúde como um todo. Antes de gravar evitamos alguns alimentos gordurosos, leite. Maçã é muito bom pra comer antes de uma gravação.

4 – Você é apresentadora no Pixel Show, um evento que movimenta milhares de pessoas que estão ligadas e/ou têm interesse nesse mundo criativo, sendo o maior festival de criatividade na América Latina. E esse ano, você também estreitou ainda mais os laços com o projeto ao também ser a curadora da Pixel Voice, algo inovador dedicado a locutores e dubladores, trazendo uma série de painéis de bate-papos temáticos, que com certeza irão fortalecer essa rede no mercado brasileiro.

Como foi iniciada essa parceria com o Pixel e como foi desenvolver essa iniciativa da Pixel Voice?

Entrei no projeto Pixel Show como apresentadora há três anos. Me encantei pelo festival e sempre estive muito próxima dos organizadores pensando no evento durante o ano todo, sugerindo palestrantes, patrocinadores. Durante o SXSW eu mandava sempre informações pra eles sobre o festival e fiz o mesmo na VO Atlanta.

Assim que voltamos da conferência, em março desse ano, o Jason e eu conversamos com o Allan e o Simon (sócios do Pixel Show), e já estruturamos a sala Voice dentro do Pixel.  O que acabou sendo um evento pioneiro para os profissionais de voz (locutores e dubladores) no Brasil. Desde março estamos trabalhando como curadores dos palestrantes e também dos conteúdos apresentados.

5 – Eu sei que ainda é cedo, pois o evento foi neste último fim de semana, porém já deu para ter uma noção dos reflexos dessa abertura e espaço maior para os profissionais da voz? E ainda, tem algo que você já possa sobre os planos para a próxima edição?

Durante o Pixel Voice conversamos muito sobre a importância de fortalecer o profissional de voz, veio gente do Brasil todo e existiu muita troca nesses dois dias. Muitos participantes só se conheciam das mídias sociais. O objetivo é que as ideias discutidas no festival se espalhem pelas comunidades de locutores em todo o país e que a gente continue conversando e pensando em formas de fortalecer nosso mercado.

Diferente dos EUA não temos sindicato ou agentes, o locutor trabalha sozinho. Temos que nos apoiarmos. Somos partes de uma engrenagem bem maior na produção audiovisual. Se estivermos mais fortes e com mais conhecimento sobre o mercado publicitário, seremos melhores parceiros também.

Todos ganham! Foram importantes no Pixel Voice os painéis dos produtores de som e também do Everton Behenck (diretor de criação da Africa).

É bacana um profissional entender o lado de outro.

 

6 – Além da dublagem normal de um idioma para o outro, atualmente também tem se expandido no mercado a necessidade de profissionais para atuar na localização (dublagem de jogos de vídeo games) e audiodescrição para propiciar acessibilidade de deficientes visuais às obras audiovisuais. Como você tem percebido essas novas (talvez não tão novas assim, mas que estão mais em pauta ultimamente) demandas. E aproveitando, você pode contar também quais são os passos que alguém que tem interesse na área pode dar para iniciar a formação e poder atuar.

Têm muitas áreas para serem exploradas na locução e na dublagem. Boa observação a sua! No Pixel Voice apresentamos várias possibilidades em palestras e painéis como voz para games (localização e voz original) e voz original para animação. Na locução comercial entram as vozes para assistentes virtuais pessoais. Mercado que vai crescer muito com o aumento da internet das coisas.

Para iniciar na carreira, o profissional precisa estudar e ter paciência. O Lou no painel dos produtores comentou justamente isso: a importância de dar tempo ao tempo. De entender que a locução e a dublagem são profissões como as outras, e por isso, requer tempo, esforço e dedicação.

7 – Eu também gostaria que você comentasse um pouquinho como é ser mulher no mercado da voz e como movimentos como o #MeToo ou #MeuPrimeiroAssédio repercutiram no meio.

No mercado publicitário a mulher está ganhando espaço e vemos o reflexo disso nas campanhas publicitárias. Muitos castings agora são feitos com homens e mulheres e depois o cliente escolhe o que é mais adequado ao filme. Locutoras não gravavam campanhas para automóveis ou bancos, por exemplo. E isso já mudou. Na parte de voz para assistente virtual pessoal as mulheres são a maioria, mas isso já é assunto pra outra conversa…

8 – E para finalizar, tem alguma curiosidade ou situação divertida que já te aconteceu por ter uma voz que está presente em tantos locais diversos, portanto até familiar para muitos de nós?

Somos impactados o dia todo por vozes de locutores e dubladores, mas nem percebemos: assistentes virtuais, comerciais de rádio, TV, internet, radialistas, waze, vídeos que assistimos na internet, tutoriais, vídeos de treinamento, URA (atendimento telefônico das empresas), avisos sonoros em metrôs, aeroportos, aeronaves… só pra citar alguns. Então muitas vezes as pessoas acham que nos conhecem, porque reconhecem as nossas vozes…e fica aquela história: “Você estudou onde?” “É prima do Roberto?”…

Com o job do antivírus Avast tenho várias histórias engraçadas pra contar de pessoas que levaram sustos.

A voz era acionada toda vez que o Avast fazia uma atualização, por exemplo. E isso podia ser de madrugada, no meio de uma discussão de um casal.

Era uma voz que falava dentro da casa das pessoas, sem ser acionada!

 

 

Gostou? Em breve voltamos com mais!

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