The Breakdown

8.5
Pros
-
Cons
Atuações, edição e montagem, direção

Eu não sei vocês, mas o ser humano sempre me surpreende, seja pela capacidade de fazer o bem ao extremo, seja na maioria das vezes por extrapolar em ações de tamanha maldade e indiferença pela vida do outro.

VICE, que fez sua estreia em terras tupiniquins na última semana e é um dos fortes na corrida pelo Oscar de melhor filme entre outras categorias pelas quais foi indicado na premiação desse ano, me apresentou de uma forma muito intensa e bem construída um bom exemplo desse lado perverso que o homem pode desenvolver.

 

Isso se deu através de seu protagonista, Dick Cheney (interpretado de maneira muito coesa e impressionante por Christian Bale), personagem baseado no homem que foi galgando espaço e mais espaço na política americana, até se tornar o vice-presidente no mandato de George W. Bush, um vice que tinha mais controle que qualquer outro até então, pelo que é apresentado na obra.

E o que ele fez com todo esse poder? Trabalhou incessantemente por mais e mais, afinal a ganância é um anseio que parece nunca ter fim. Tanto que para isso, para sanar o seu desejo, ele conduziu seu país e aliados no que ficou conhecido como “Guerra ao Terror”, com invasão a países como Afeganistão após o fatídico 11 de setembro de 2001, quando 4 aviões comerciais de passageiros foram sequestrados, sendo que 2 deles colidiram intencionalmente  com às Torres Gêmeas em Nova Iorque, 1 com o Pentágono em Washington e o 4º caiu no Estado Pensilvânia, e ao Iraque de Saddam Hussein.

 

Quando se trata de poder e dinheiro, nenhuma vida é valorizada, a não ser no momento em que se faz “útil” de alguma maneira, até o momento em que se torna descartável.

 

No filme, produzido pela Plan B de Brad Pitt, podemos acompanhar a trajetória desse homem que foi construindo de maneira sagaz todo o alicerce até o momento em que teve a maior nação da história conhecida, completamente em suas mãos. E o que ele fez com esse poder? Causou destruição sem tamanho, em busca de mais território, que tinha mais petróleo e por consequência lhe rendia mais dinheiro e mais poder.

E sabe o que é mais assustador, é que essa não é uma história que se encerrava ali, ou com a chegada de um novo governo, na verdade essa é uma realidade que tem se propagado mais e mais. Sim, muito provavelmente é algo que venha desde que o mundo é mundo, entretanto a evolução parece não ter ajudado tanto no sentido de humanizar mais as pessoas, pelo contrário, a impressão que tenho é que temos vividos tempos cada vez mais medievais. Tempos em que violência se sobressai ao diálogo, tempos em que ser, pensar e agir diferente promove uma caçada às bruxas ferrenha, tempos em que a doutrinação e opressão têm ganhado mais espaço e força, superando o respeito e empatia.

Mais uma vez temos a arte revivendo momentos históricos e trazendo perspectivas distintas ou desconhecidas, que nos levam a refletir sobre como tudo aconteceu e as consequências disso no nosso momento presente.

Para quem ainda não assistiu, eu super recomendo. Não somente pelo contexto já mencionado, como também por como a história foi desenvolvida, os cortes rápidos, assertivos e uma acidez que diverte e debocha em alguns momentos, imprimindo um ritmo que te deixa sempre alerta.

Outro detalhe importante a ser mencionado, é o quanto o marketing e o fato das leis serem passíveis de interpretação têm sido imprescindíveis para que políticos cheguem e se mantenham no poder, mesmo quando suas atitudes são apenas para atingir benefícios particulares, e não para o bem comum da populações que os elegeram como representantes.

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