Nota:

Data de Lançamento: 13 de janeiro de 2018 Direção: Gianmaria Pezzato Elenco: Stefano Rossi, Gelsomina Bassetti, Andrea Baglio Gêneros: Fantasia, Aventura Nacionalidade: Reino Unido
5.0

Quando foi lançada, em 2009, a adaptação de Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, dir. David Yates) decepcionou muitos fãs: de um livro emocionante, obscuro e cheio de informações relevantes e decisivas para a história de Harry e, principalmente, de seu antagonista, Lord Voldemort, foi tirada o que mais se assemelhou a uma comédia romântica insuflada por hormônios adolescentes. A história de Voldemort, profundamente estudada nesse livro como uma introdução para a parte final da saga, Harry Potter e as Relíquias da Morte, acabou sendo cortada e modificada para caber nas pouco mais de duas horas de tela do filme.

Pouco soubemos sobre a família dele e os caminhos de Tom Marvolo Riddle quando deixou Hogwarts até se tornar o temível vilão, além de sua busca pelas relíquias dos fundadores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts para que fossem transformadas nas Horcruxes, guaridas para os pedaços de sua alma, que garantiriam a sua imortalidade, caso se mantivessem intactas – foram as Horcruxes, cunhadas com poderosa magia negra, que mantiveram o vilão vivo após a sua derrota para Harry, quando tinha apenas um ano de idade, deixando apenas a tão conhecida cicatriz em formato de raio como lembrança do enfrentamento. Apesar disso, o filme teve uma boa aprovação dos fãs. No site Rotten Tomatoes, por exemplo, O Enigma do Príncipe tem 77% de aprovação da audiência, com base na avaliação de mais de 1,5 milhão de usuários.

Aproveitando essa lacuna, surge Voldemort: A Origem do Herdeiro (Voldemort: Origins of the Heir, 2018), um filme feito por fãs que inventa um passado e o acrescenta à história que já conhecemos do grande vilão. O filme foi escrito, dirigido e editado por Gianmaria Pezzato, que também é responsável pelos efeitos especiais do longa. A ideia do filme surgiu após a releitura do já mencionado sexto livro da saga Harry Potter e, em junho de 2017, ganhou da Warner Bros. Pictures, detentora dos direitos da saga, o aval para ser produzido, contanto que fosse apenas para fins recreativos, sem arrecadação de lucros. Dessa forma, o filme foi lançado gratuitamente no YouTube no último sábado, dia 13, e tem legendas em espanhol, francês, italiano e português, além de closed captions em inglês, para pessoas com problemas auditivos.

A história se passa na União Soviética, pouco após a derrota de Gerardo Grindelwald, em 1945, e durante a ascensão de Lord Voldemort, e gira em torno de Grisha McLaggen, uma Auror que invade uma base soviética atrás de um misterioso objeto ligado ao vilão. O objeto, descobre-se, nada mais é do que o diário de Tom Riddle, em posse dos Aurores soviéticos, introduzido na saga Harry Potter em seu segundo capítulo, Harry Potter e a Câmara Secreta, e conhecido como uma das Horcruxes.

Capturada, McLaggen, sob o efeito de Veritaserum, a poção da verdade, é forçada a contar os motivos para querer tanto o diário, o que a leva a contar toda a história de Tom Riddle e os herdeiros dos fundadores de Hogwarts: Godric Gryffindor, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff e Salazar Slytherin.

Os herdeiros de Hogwarts em “Voldemort: A Origem do Herdeiro” (“Voldemort: Origins of the Heir”) (Foto: Divulgação)

Acontece que McLaggen, além de Auror, é também herdeira de Gryffindor e, quando na escola, se juntou a Wiglaf Sigurdsson II, herdeiro de Ravenclaw, Lazarus Smith, herdeiro de Hufflepuff e, é claro, Tom Riddle, herdeiro de Slytherin, para formarem um grupo de poderosos jovens que fariam a diferença no mundo bruxo, espelhando os seus antecessores. Porém, como já havia acontecido anteriormente com os fundadores, o grupo acabou entrando em conflito e Tom, o mais poderoso dentre os herdeiros, alçou voo solo para se tornar o vilão que conhecemos. McLaggen, outrora apaixonada pelo belo e charmoso Tom Riddle, agora tem como missão recuperar o homem que um dia conheceu e amou ou destruir o homem que ele se tornou.

O filme, em sua maioria, traz elementos originais, com base na história criada por J.K. Rowling, mas também apresenta alguns elementos que não foram ao cinema em nenhuma das adaptações oficiais, como a cena em que Tom Riddle toma posse da Taça de Hufflepuff e do Medalhão de Slytherin, ao assassinar Hepzibá Smith, herdeira de Hufflepuff e tia de Lazarus, e colocar a culpa em sua elfa doméstica, Hóquei. Não é excelente, mas se nem Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Harry Potter and the Cursed Child), que tem a colaboração de Rowling, conseguiu ser, qual história baseada na saga será?

Tom Riddle na sala de Hepzibá Smith em “Voldemort: A Origem do Herdeiro” (“Voldemort: Origins of the Heir”) (Foto: Divulgação)

Visualmente bem feito, o filme não se rende às suas limitações e trabalha muito bem com o que tem em mãos, com locações interessantes e efeitos especiais simples, mas que não envergonham. No entanto, tem um problema de sincronização do áudio com a imagem que, tamanha a frequência, chega a incomodar.

Os atores também não são tão bons e tentam disfarçar o fato com uma dose a mais de drama, o que deixa o filme muito intenso. Tudo acaba sendo um grande momento, uma grande notícia, uma grande revelação — então tudo acaba sendo nada. O filme acaba perdendo o impacto que tenta causar ao tentar causá-lo a todo momento.

No mais, com pouco mais de cinquenta minutos, o filme é interessante e agrada, apesar de ser bastante esquecível. O esforço de Pezzato, no entanto, é de se aplaudir. A história pode não ser do gosto de todos mas, como fã, o diretor teve o cuidado de tratar muito bem de todos os elementos que compõem o filme.

Voldemort: A Origem do Herdeiro foi financiado através de crowdfunding e produzido pela produtora independente Tryangle Films. Desde a sua estreia, já foi visto por mais de 7 milhões de pessoas ao redor do mundo.

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Veja o filme completo: